quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

HISTORIA! Criado o distrito de paz de Dourados



Os pioneiros: Em pé, o segundo, Josué Pires  ( filho de Marcelino Pires), Abílio de Mattos Carvalho, o quinto, Joaquim Rosário (escrivão) , João Pires e Antonio de Mattos Carvalho. Sentados: Armando Brum Mattos, Amandio de Mattos Pereira, Ponciano deMattos Pereira, Bento de Matos Pereira, Marcelino Pires e seu genro Paulo Hildebrand


Criado pela lei 658, de 15 de junho de 1914, é instalado em 24 de fevereiro de 1915, o Distrito de Paz de Dourados, ligado ao município de Ponta Porã.

O ato está registrado nos anais da história da cidade:

Aos vinte quatro dias do mês de fevereiro do ano de mil novecentos e quinze, neste lugar denominado Patrimônio do Dourados, sede do distrito de paz do mesmo nome, em casa de propriedade do sr. Coronel Baltazar Saldanha, previamente designada, para nela funcionar a escrivaninha do juiz de paz, aí presentes os cidadãos majores Paulo Hildebrand e José Alves Leite, primeiro e segundo juizes de paz; cidadãos tenente-coronel Marcelino Pires Martins, majores Ponciano de Matos Pereira e Bento de Matos Pereira, sub-delegado de Polícia; pelo sr. primeiro juiz de paz, major Paulo Hildebrand foi dito que se ia proceder à instalação deste distrito criado pelo ato da lei número seiscentos e cinqüenta e oito da Presidência do Estado, datado de quinze de setembro de mil novecentos e quatorze, sendo seus limites os seguintes: a partir da mais alta cabeceira do Passa-Cinco, nas linhas retas à cabeceira mais próxima do rio Feio, por estes abaixo até a tromba da serra e passando essa ao Sul até encontrar o rio Apa, que é conhecido por Estrela; por este acima até o marco nacional que limita o Brasil com a República do Paraguai; daí seguindo ao Sul até confrontar com a cabeceira do ribeirão Santa Virgínia; por este abaixo até o rio Dourados; por este abaixo até o rio Brilhante; por este acima até a foz do rio Santa Maria; por este acima até a foz do ribeirão Passa-Cinco; por este acima até sua mais alta cabeceira. E convidado o segundo juiz de paz eleito, ambos em dois de novembro de mil novecentos e quatorze a tomarem assento nos seus respectivos lugares; o que foi feito declarou instalado o respectivo distrito. Em seguida usando da palavra em frases eloqüentes, os srs. major Ponciano de Matos Pereira e o cidadão capitão Leonel de Barros, congratularam-se com o povo pelo alto cometimento e concitou-os aqui unidos trabalhássemos pelo progresso deste rico distrito; encerrada em seguida a sessão mandou lavrar a presente ata que assinarão as autoridades e mais pessoas presentes. Eu, Joaquim do Rosário, designado para servir de secretário, escrevi e assino.


O distrito de Dourados foi elevado a município em 20 de dezembro de 1935.


FONTE: Lori Gressler e Lauro J. Swenson, Aspectos históricos do povoamento e da colonização do Estado de Mato Grosso do Sul, edição dos autores, Dourados, 1988, página 73.

FOTO: extraída do livro Memória fotográfica de Dourados, de Regina Heloiza Targa Moreira.



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terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

HISTORIA! Chega a Cuiabá o catequista padre Malan

 




Aporta em Cuiabá em 15 de fevereiro de 1894, o padre Antonio Maria Malan. Nascido na Itália, em 16 de dezembro de 1862, em São Pedro, província de Cuneo, Piemonte, foram seus pais Nicola Malan e Margarida Viau. Em 23 de fevereiro de 1883, depois de seu estágio no exército, entrou no Colégio Salesiano de Navarra, na França, ingressando para o noviciado em Marselha em outubro de 1884, onde tomou o hábito sacerdotal a 15 de agosto de 1885, professando os primeiros votos em 2 de outubro do mesmo ano. Clérigo, foi mandado para Montevideu, onde se ordenou sub-diácono em 15 de julho de 1889.

Em Mato Grosso, no tempo do bispo dom Carlos d'Amour, iniciou suas atividades no Colégio São Gonçalo, "centro nuclear de irradiação sempre crescente, a expandir-se por todo o Estado, e, ao depois, as colônias, admiráveis organizações de catequese, a se abrolharem pelos férteis vales do São Lourenço, do Garças e do Barreiro, estendendo o raio de ação civilizadora até as longínquas plagas araguaianas".

Em reconhecimento ao seu trabalho e inúmeros serviços prestados, a Sé galardou-o em 1914, com o título de Bispo de Amiso e Prelado do Registro do Araguaia, recebendo a sagração em 15 de agosto desse ano, em São Paulo, das mãos do núncio apostólico monsenhor José Aversa.

Em 1924 foi nomeado para o bispado recém-criado de Petrolina, no Estado de Pernambuco.

FONTE: José de Mesquita, Elogio Fúnebre, revista do Instituto Histórico de Mato Grosso, 1931 e 1932, página 211.

FOTO: Dom Malan, bispo de Petrolina.







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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

Deputado de Santo Antonio do Rio Abaixo (Leverger) é morto por irmão em Campo Grande

 





O deputado estadual Armindo Paes de Barros, proprietário da usina Conceição no município de Santo Antonio do Rio Abaixo, próximo a Cuiabá, é assassinado em 14 de fevereiro de 1919, por seu irmão Henrique, com 5 tiros de revólver, quando jantava no restaurante do hotel Royal, em Campo Grande. Armindo havia desembarcado na estação ferroviária e deveria pernoitar na vila, quando foi abruptamente abordado pelo irmão que, após rápido monólogo, sacou a arma e executou o irmão, que não teve tempo de se defender. Os motivos do crime não chegaram a ser devidamente esclarecidos.

A ocorrência teve grande repercussão, principalmente em Cuiabá e Santo Antonio, redutos eleitorais da vítima. O Matto-Grosso, jornal oficial do partido celestinista, ao qual o deputado era filiado, traçou o seu perfil:

“Moço, elegante, belo como um Apolo e com relevo que lhe dava a reputação duma bravura de herói levada à temeridade, a sua pessoa tinha todas essas qualidades brilhantes que despertam irresistivelmente a atração e fascinante simpatia. Seu fim trágico e inesperado tinha de produzir o mais profundo sentimento como uma revoltante iniquidade.

O nosso malogrado amigo desaparece aos 30 anos de idade. Em pequeno em companhia de outros irmãos, seu finado pai o coronel João Pais de Barros o levara para o Rio onde o matriculou em um colégio interno. Depois de concluído o curso secundário matriculou-se em uma das faculdades superiores da capital da República, na escola Politécnica, interrompendo seus estudos por ter tido necessidade de vir se por à testa da usina de propriedade de sua família. Viajara antes à Europa, tendo permanecido logo tempo na Itália em companhia dos seus.

Na direção do importante estabelecimento legado pelo seu velho pai, revelou notáveis qualidades de administrador e industrial ativo, inteligente, honesto e pontual nos seus compromissos. É do conhecimento de todos os felizes resultados que coroaram a sua ação conseguindo com a disciplina imposta pelo seu pulso férreo libertar em poucos anos a usina de pesados encargos e das dificuldades que antes assoberbavam. E uma das circunstancias que tornam mais dolorosa a sua morte, é não ter ele podido ver, como filho extremoso que era, o coroamento de seus esforços nessa obra a que se dedicara de corpo e alma para salvar os haveres da família e assegurar o bem estar e abastança de sua mãe e irmãos. A sua viagem de agora, na qual tombou em meio do caminho, ele a fazia no desempenho dos seus deveres para com os interesses industriais da usina que dirigia de modo tão seguro e feliz.

Politicamente a morte de Armindo Paes abre nas nossas fileiras um claro que o fará sempre por nós lembrado e com o qual nunca nos conformaremos.
Dá bem a medida do seu valor a alta graduação que tinha na nossa poderosa agremiação partidária e as elevadas posições que tão moço atingira de intendente do município de Santo Antonio do Rio Abaixo e deputado à Assembleia Legislativa. Além do dotado de apurada perspicácia e extraordinário poder de assimilação, possuía também essas qualidades de caráter que primam sobre as da inteligência, essa vontade firme dos que mandam e sabem se fazer obedecer, e que sagra os que nasceram para condutores dos homens”.

Outra tragédia atingindo a família ocorreu em 1906, com o assassinato de seu tio Totó Paes,  então presidente do estado de Mato Grosso.



FONTE: Jornal O Matto-Grosso (Cuiabá), 20 de fevereiro de 1919.



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sábado, 12 de fevereiro de 2022

HISTORIA! Aventureiro solitário vai de Cuiabá a Corumbá numa jangada






Tendo como veículo uma pequena jangada, chega a Corumbá, em 12 de fevereiro de 1910, procedente de Cuiabá, o poeta e jornalista gaúcho, Sebastião de Campos, que tem percorrido a pé, todos o estados do Brasil, tendo iniciado sua viagem há nove anos. "Chegado à capital do Estado a 1° de agosto - revelou em entrevista a um jornal corumbaense - dali prosseguiu a 19 de dezembro seu itinerário em jangada até esta cidade, gastando nesse penoso e arriscadíssimo percurso fluvial 57 dias de viagem".

Ao jornal, o andejo sintetizou esta sua extenuante caminhada pelo país:

"O sr. Sebastião de Campos iniciou a sua viagem em Porto Alegre, a 15 de junho de 1901,e, atravessando os estados de Santa Catarina e Paraná, terminou este trecho de sua viagem na cidade de Campinas a 30 de novembro.

Daí em continuação de sua viagem, planejada então em volta da terra, partiu a 15 de maio de a904, chegando a Manaus a 3 de abril de 1906, tendo percorrido todos os estados do litoral do Rio de Janeiro até o Pará.

Um dia antes de sua partida de Campinas, no Centro de Ciências, Letras e Artes, do qual Sebastião de Campos é sócio, discutiu-se o itenerário de sua viagem, por uma seleta assembleia  onde muitos oradores se manifestaram contrários a esse empreendimento.

Entretanto, o sr. Sebastião de Campos ocupando por último a tribuna, declarou que sentia profundamente não poder corresponder aos desejos de seus amigos, pois a sua viagem era obra de um mistério e que mais tarde, se tivesse a ventura de regressar ali, então desvendaria esse segredo, que resumiu num símbolo e comovido, beijou nesse momento a bandeira nacional.

Conhecendo já uma parte do opulento estado de Minas, mas faltando-lhe conhecer os estados de Goiás e de Mato Grosso, que não entravam no itenerário de sua viagem, resolveu ele percorrer esses estados. E assim o fez, não sem experimentar longos dias de provações , na espinhosa travessias dos sertões que percorreu, afinal, a sua intrepidez e coragem inauditas".

De Corumbá, Sebastião de Campos deverá seguiu para Assunção, no Paraguai.


FONTE: Correio do Estado (Corumbá), 16 de fevereiro de 1910. 



segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

Aniversário do Correio do Estado



A primeira edição circulou num domingo

Circula em 7 de fevereiro de 1954 a primeira edição do jornal Correio do Estado, lançado por um grupo de políticos ligados à UDN-União Democrática Nacional, adversária do PSD, que patrocinava "O Matogrossense". O jornal foi formalmente dirigido por algum tempo pelo advogado e deputado federal José Fragelli, passando dois anos depois para a direção e controle de seu primeiro redator, jornalista e professor J. Barbosa Rodrigues, egresso do Jornal do Comércio.

Entre os fundadores do Correio do Estado, estão Vespasiano Barbosa Martins, Fernando Correa da Costa e José Moraes.

Era governador de Mato Grosso, no ano de sua fundação, o ex-prefeito de Campo Grande Fernando Correa da Costa (UDN) e prefeito de Campo Grande Wilson Fadul (PTB).

É o mais antigo diário de Mato Grosso do Sul em circulação contínua e um dos jornais mais modernos do Brasil. O seu aniversário em 2011 foi comemorado com "uma mudança radical no processo de impressão das páginas, que passou a economizar água e diminuir a utilização de produtos químicos. O nome da novidade é impressão ecológica".


FONTE: Correio do Estado, edição de 7 de fevereiro de 2014.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

GUERRA DO PARAGUAI! Orelhas de brasileiros são expostas em Assunção






Ocorrida em 3 de janeiro de 1865, as primeiras notícias da invasão de Corumbá, com algum grau de credibilidade, passaram a circular pela imprensa brasileira somente a partir do final de janeiro de 1865. Os jornais do Brasil, valendo-se de conexão com a imprensa argentina, passaram a circular com as notícias da guerra em território sul-matogrossense. Numa dessas notícias, o Diário do Rio de Janeiro, em 4 de fevereiro de 1865, com informação de La Nacion, da Argentina, sintetizou a ação do exército paraguaio depois de apoderar-se da vila, entremeando no artigo a macabra informação de uma exposição de orelhas humanas:

A invasão de Corumbá foi uma série de feitos escandalosos. O comandante, nomeado para esse ponto, ordenou o saque aos soldados. Todas as casas foram abertas à força bruta, e tudo quanto nelas existia foi conduzido para o quartel, onde em em presença do dito chefe, repartiu-se uma parte pela tropa e oficiais e outra parte foi transportada para um navio com destino a Assunção.

Nesta fúria nem os próprios estrangeiros escaparam. As bandeiras das diversas nações não protegiam a ninguém. A velhice e a moléstia não eram obstáculo. As casas pertencentes a brasileiros foram marcadas com um B, depois da saqueadas.

A escuna Jacobina, de nacionalidade argentina, e propriedade do italiano Santiago de Lucchi, estando carregada com 2.000 couros secos, foram estes lançados ao rio e o navio declarado prisioneiro; por muito favor deram liberdade a tripulação, exceto a quatro homens de cujo destino não se sabe.

No dia 10 foi queimada toda a madeira que existia para construção da alfândega; todo o gado encontrado nas imediações foi destruído.

Em Corumbá ficaram apenas 66 estrangeiros e algumas pobres mulheres. 

A cidade está ocupada por um batalhão de 1.000 homens sob o comando do capitão Goristiaga. Os vândalos tinham intenção de atacar Vila Maria e Cuiabá.

O Iporã chegou a Assunção no dia 14. Este vapor sofrera muitas avarias no ataque do Anhambay. A tripulação ao desembarcar na capital paraguaia repartia grande quantidade de gêneros, roupa e outros objetos, produtos de seus roubos em Corumbá. O próprio comandante, Andrés Herreros, arranjou não pequena fortuna.

Enfim, para cúmulo de selvageria, esteve exposta a bordo daquele navio uma conta, em que se achavam presas as orelhas dos infelizes tripulantes do Anhambay. 

Com a notícia destes triunfos, houve em Assunção grandes festas populares e bailes.

Os estrangeiros em Corumbá enviaram uma representação ao sr. Barbolani, ministro italiano em Montevideo, pedindo a sua proteção.


FONTE: Diário do Rio de Janeiro, 4 de fevereiro de 1865.

IMAGEM: bog do Assis Oliveira